Lei
3.051/98
DOCUMENTOS ROUBADOS TEM GRATUIDADE PARA FAZER A SEGUNDA VIA
Acho
que grande parte da população não sabe,
principalmente por falta de divulgação através
da mídia; é que a Lei 3.051/98 nos dá o direito
de, em caso de roubo ou furto, mediante à apresentação
do Boletim de Ocorrência, gratuidade na emissão da segunda
via de documentos tais como:
Habilitação (que custaria R$ 4 2,97);
Identidade (R$ 32 ,65);
Licenciamento Anual de Veículo (R$ 34,11)..
Para conseguir a gratuidade, basta levar a uma cópia (não
precisa ser
autenticada) do BO - Boletim de Ocorrência e o original ao Detran
(Habilitação e Licenciamento) e outra cópia a
um posto do IFP.
Repassem a seus amigos e vamos fazer valer nossos direitos.
SEXO NA PRAIA DO SONHO...
Pois, conforme contei anteriormente, transformei-me em
água e estava feliz na Praia do Sonho.
Enquanto eu era água, e vivia na maior onda, pra lá e
pra cá, tudo bem. Mas esquentou muito, eu me descuidei e quando
me dei conta tinha evaporado! Puxa vida, nem sei como é que isso
aconteceu...
Eu tinha virado nuvem e o mar estava lá embaixo, longe, longe...
A minha nuvem escureceu e descarregou-se em chuva, fininha, e eu fui
caindo, caindo, sentindo um frio na barriga, um nó na garganta
e uma angústia muito grande por não saber onde iria parar.
Bati de encontro a um telhado e escorri, lentamente, por uma janela.
A chuva parou e eu fiquei ali, colado na vidraça daquela casa.
Surpresa! Era um quarto de dormir, mas que os humanos usam para outras
coisas. E um casal de jovens estava no departamento de outras coisas:
beijos ardentes, já sem roupas, mostrando seus corpos bronzeados,
com aquela cor que só a Praia do Sonho proporciona.
Eu, na vidraça, tremia de emoção, pois escorregava
lentamente e não queria deixar de assistir aquele espetáculo
que há muito tempo eu tinha esquecido. Que lindo!
A moça, ousada, percorria o corpo do rapaz com mil beijos e,
com carícias mágicas, fez desaparecer a sua extremidade
mais saliente. E eu escorregando...
Tentei me fixar no vidro liso... Mas de que jeito uma insignificante
gotinha consegue tal intento?
Quando voltei a olhar, o jovem já tinha penetrado a moça
e eles balançavam, furiosamente, feito aquelas ondas em dia de
tempestade. E eu escorregando... e pensando no tempo em que era humano...
Acredito que o rapaz, a moça e eu chegamos ao final juntos. Adivinhei
que ele tinha se dividido em gotas dentro dela e que a natureza empurrava
aquelas gotinhas em direção à vida, em busca de
um óvulo maduro.
E eu fui escorregando... Acabei caindo no canteiro que tinha abaixo
da janela. Penetrei na terra e, pouco centímetros abaixo, encontrei
uma sementinha de flor, ávida pela minha humidade.
Voltei a ser feliz, por ser gotinha d'água, pois ajudei a pequena
semente a germinar...
E mais feliz, ainda, por estar integrado, naquele momento, aos mistérios
e às maravilhas que acontecem na Praia do Sonho.
AS
MINHAS PRIMEIRAS RESSACAS...
Depois que o meu corpo transmutou-se em 100% água, conforme
contei na coluna anterior (leia abaixo...), passei uma eternidade em
total deslumbramento, admirando as indescritíveis novidades vivenciais
que a situação me proporcionava: o mar, como um todo,
deveria ser relacionado, universalmente, como a Oitava Maravilha do
Mundo! Ou seja: eu, como mar que agora sou, seria uma das oito maravilhas...
Após o tempo necessário para conhecer a Praia do Sonho
daquele novo ângulo - vista com olhos de mar ela é mais
linda ainda! -, comecei a tomar conhecimento das fofocas da praia...
Na primeira semana de fevereiro, quando aconteceu aquela ressaca bárbara,
o disque-disque, o molha-não-molha, era a atitude de alguns siris
que tinham participado de uns comerciais de televisão para uma
determinada marca de cerveja e se encontravam hospedados na Pousada
da Ilha do Papagaio. Com o sucesso dos filmes e ficando ricos com os
cachês que ganharam, aqueles siris passaram a esnobar os outros
da mesma espécie. Não se misturavam mais e se consideravam
como uma nova casta de artistas, de decápodes que se deram bem
na vida, de branquiúros nobres, dignos representantes da família
dos portonídeos. E exigiam ser chamados pelos seus nomes científicos:
um era o Portunus spinamamus; o outro, Callinectes exasperatus; tinha
o Arenaeus cribarius; o Callinectes danae e o Callinectes sapidus.
Freqüentavam apenas a parte mais nobre da praia, contrataram seguranças,
vida de rico, enfim. O comentário era de que manicures especiais
cuidavam dos seus dez pés.
O deboche final veio quando eles deixaram de se alimentar de detritos
em geral, como tudo que é siri, e começaram a usar a telentrega
e a receber, em plena areia, comidinhas especiais vindas do Restaurante
do Cesar. Enquanto isso, todos os outros siris até fome passavam.
Quando fiquei sabendo que os siris fariam uma grande manifestação
na beira da praia, fui lá para solidarizar-me com aqueles excluídos.
Eu e muitas outras ondas que pensam igual, ajudadas pelo "cumpanhero"
Vento, invadimos as areias.
E foi o que se viu: a primeira grande ressaca do ano.
Fui chamado a atenção pelas Forças Superiores,
que me explicaram que nós, do mar, não devemos interferir
sobre o que acontece a partir da areia. Sob pena de causarmos grandes
estragos. E mais: me ordenaram que passasse a estudar os problemas do
mar, onde, também, havia muita injstiça social.
Desculpei-me e voltei à maravilhosa vidinha de eterno vai e vem,
só até onde começa a areia. E, chegando lá,
com toda a calma, tenho direito a brincar de pula-pula com as crianças.
De política, nada!