Motonáutica
 por MÁRCIO SEVERINO MACHADO

       
MÁRCIO SEVERINO MACHADO é Cirurgião Dentista, Especialista em Odontologia Legal tendo como Hobby a Motonáutica 
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GASOLINA...”SER ADITIVADA OU NÃO SER... EIS A QUESTÃO.
Gasolina: Mistura de hidrocarbonetos, em geral saturados, com quatro até doze átomos de carbono, obtida pela destilação fracionada e pelo craqueamento do petróleo, usada como combustível em motores de explosão. A gasolina comercial contém também olefinas, hidrocarbonetos aromáticos e naftênicos. O ponto de fulgor é da ordem de -45°C e na destilação passa entre 39°C e 204°C
Aditivo: Substância adicionada a uma solução para aumentar, diminuir ou eliminar determinada propriedade desta; agente aditivo.
Álcool: Líquido incolor, volátil, com cheiro e sabor característicos, obtido por fermentação de substâncias açucaradas ou amiláceas, ou mediante processos sintéticos, utilizado com larga faixa de propósitos; etanol, álcool etílico.
Gasolina brasileira: Segundo a Agencia Nacional de Petróleo, a nossa gasolina tem 20% de Álcool anidro (que não contém água.), independentemente de ser premium, comum aditivada ou comum, por ser Álcool anidro tem a capacidade de absorver água da atmosfera (higroscópico = material ou substância que tem grande afinidade pelo vapor de água, sendo capaz de retirá-lo de uma atmosfera ou eliminá-lo de uma mistura gasosa).
Vida útil: Segundo as Companhias Distribuidoras, a gasolina tem uma vida útil de 60 dias após o adicionamento de Álcool, ou seja, na saída da refinaria, somado ao tempo de transporte mais o tempo no posto de gasolina, chegamos há 30 dias com margem de segurança, pois após este prazo a gasolina, sofre um processo natural de oxidação que leva à formação de goma, que pode depositar-se no sistema de alimentação do combustível. O acúmulo de goma pode levar a um mau desempenho do motor.
Gasolina comum, comum aditivada e premium
As gasolinas são classificadas, mundialmente, de acordo com a sua octanagem. A octanagem mede a resistência da gasolina à detonação (popularmente conhecida de "batida de pino"), que leva à perda de potência e, se de grande intensidade e persistência, pode causar sérios danos ao motor. Segundo as Companhias Distribuidoras as octanagens das gasolinas comercializadas no Brasil são equivalentes às das gasolinas encontradas nos Estados Unidos e na Europa, ou seja, a gasolina comum brasileira é equivalente às gasolinas Regular americana e européia e as gasolinas premium têm o mesmo nível de octanagem desses países.
As gasolinas comuns e comuns aditivada possuem a mesma octanagem. Elas diferem entre si pela presença de aditivo. As Companhias Distribuidoras colocam na gasolina um aditivo tipo "detergente-dispersante" que tem a função de limpar e manter limpo todo o sistema por onde passa a gasolina. Ao usar uma gasolina aditivada os motores ficarão mais limpos e em melhores condições de funcionamento, e seu custo de manutenção será menor. A gasolina premium possui maior octanagem que a gasolina comum. A premium serve para qualquer tipo de motor a gasolina, mas não se obterá nenhum benefício se o motor não exigir esse tipo de gasolina. É recomendada para motores que foram desenvolvidos para uma gasolina de alta octanagem, cujas principais características são: alto desempenho, elevada taxa de compressão, sensor de detonação, etc. A gasolina premium também contém o aditivo detergente-dispersante.
Gasolina brasileira X gasolina americana:
A grande diferença da nossa gasolina é a presença de álcool na proporção de 20% e a ausência do Chumbo tetraetila que tem na gasolina americana, o percentual de álcool na gasolina americana não passa de 10%. A função do chumbo como do álcool é aumentar a octanagem, e o álcool tem a função antidetonante, que previne uma pré-ignição do combustível.
Qual a gasolina recomendada?
A gasolina recomendada, segundo as informações acima é a premium, pois os motores de popa e centro comercializados no Brasil, foram desenvolvidos para a mais alta octanagem possível, sendo em alguns casos o uso de aditivos extras, para melhorar a performance do motor. Em segundo vem a gasolina comum aditivada e em seguida a gasolina comum... MAS!!!!! Em vista que já é notório que alguns postos de gasolina, usam de “N” artifícios para aumentar o faturamento no combustível, existe a famosa gasolina adulterada. Devemos sempre nos precaver e só abastecer em postos de confiança e de alta rotatividade, pois as batidas de pino nos motores de centro são menos prejudiciais que nos motores de popa, já que o combustível na grande maioria dos motores de popa é o responsável por “guiar” o óleo 2 tempos até as partes móveis a serem lubrificadas. É recomendável instalar um filtro decantador (separador de água) e revisa-lo a cada 6 meses.
TRADIÇÕES NAVAIS: O SINO DE BORDO
O dia de trabalho do marinheiro, do homem do mar, é contado diferente do dia do homem de terra. Se fosse possível ao navio navegar somente de oito horas da manhã até às cinco da tarde - havendo parado uma hora para almoço - e parar e fundear (ancorar) ao final do dia, para então recomeçar tudo no dia seguinte, às oito horas, a jornada seria como a de terra. Mas isso não é possível! O navio navega, muitas vezes, por dias, semanas ou, até mesmo, por meses seguidos. Por esse motivo, há séculos os marinheiros se ajustaram às necessidades do mar, cumprindo uma jornada de trabalho que permite o guarnecimento permanente do navio. Assim, o dia é dividido em quartos de serviço, cabendo à parcelas diferentes da tripulação a vigilância, em cada quarto, revezando-se a cada dois quartos. No porto, os quartos são de 00 às 04h, de 04 às 08h, 08 às 12h, de 12 às 16h, de 16 às 20h e de 20 às 24h. Em viagem, no período compreendido entre 00 às 12h, os quartos tem o mesmo horário que no porto, porém, depois das 12 horas, os quartos tem a duração de 3 horas: 12 às 15h; 15 às 18h; 18 às 21h; e 21 às 24h. O quarto de 04 às 08h é batizado de Quarto D‘alva (a hora d’alva, do amanhecer).
No período compreendido entre os toques de alvorada (06h) e de silêncio (22h), os quartos e seus intervalos são marcados por batidas do Sino de Bordo, feitas ao fim de cada meia hora, como abaixo descrito:
AS BATIDAS DO SINO DE BORDO
1ª meia-hora do quarto 1 batida singela
2ª meia-hora do quarto 1 batida dobrada
3ª meia-hora do quarto 1 batida dobrada e 1 singela
4ª meia-hora do quarto 2 batidas dobradas
5ª meia-hora do quarto 2 batidas dobradas e 1 singela
6ª meia-hora do quarto 3 batidas dobradas
7ª meia-hora do quarto 3 batidas dobradas e 1 singela
8ª meia-hora do quarto 4 batidas dobradas

 COMO E QUANDO CHAMAR AO RÁDIO MARÍTIMO
Utilize o canal 16 para essas situações de Emergência.

Perigo Iminente - use somente em situações extremas como se o seu barco estiver afundando rapidamente.
Diga: "MAY DAY", "MAY DAY", "MAY DAY" (em seguida dê sua localização e nome da embarcação).
Urgência - use em situações de emergência, mas onde não existe perigo de perda de vidas, ex.: seu barco esta fazendo água, mas não vai ao fundo e há necessidade de ajuda.
Diga: "PAN", "PAN", "PAN" (em seguida dê sua localização, nome da embarcação e o tipo de ajuda que necessita)
Segurança - usado para informar situações perigosas referentes a navegação ou a meteorológica, ex.: sua embarcação avistou um container a deriva.
Diga: "SECURITY", "SECURITY", "SECURITY" (em seguida dê a localização do objeto ou perigo e nome da sua embarcação)
Para chamadas normais use o canal 68 e escolha o canal pelo qual vai transmitir normalmente.
Inicie falando o nome da embarcação que deseja chamar e em seguida dê o nome de sua embarcação, como por exemplo:
"ATENTO", "ATENTO"", "ATENTO", ............. (nome da embarcação, clube ou marina que quer chamar)
"AQUI É ...... CHAMANDO - Câmbio (nome da sua embarcação - procure usar sempre a palavra câmbio ao encerrar a sua transmissão para que o outro operador saiba que esta na escuta).
Quando obter resposta da sua chamada indique o canal de conversação, liberando o canal 68 para outras embarcações.
Código Q - foi desenvolvido inicialmente para uso em pica-pau ou seja para telegrafia em código morse.
Hoje é pouco usado, mas permite rapidez na comunicação.

ALFABETO FONÉTICO - CÓDIGO MORSE

A - Alpha

F -  Foxtrot

K - Kilo

P - Papa

U - Uniform

B - Bravo

G - Golf

L - Lima

Q - Quebec

V - Victor

C - Charlie

H - Hotel

M - Mike

R - Romeo

W - Wisky

D - Delta

I -  India

N - November

S - Siera

X - X-ray

E - Echo

J - Juliet

O - Oscar

T - Tango

Y - Yankee

Z - Zulu

Os sinais de código morse podem ser usados por qualquer meio de comunicação; luz, som ou rádio transmissor
Problemas com o equipamento de rádio podem evitados com uma boa conservação, para isso verifique sempre os terminais da antena, bateria, rádio, microfone, bem como, o estado dos cabos e fios entre a antena e o rádio e entre este e a bateria para evitar mal contato provocado pela maresia. Lembre-se que se o botão de transmitir for acionado com a antena desconectada ou mal conectada, pode levar a queima do sistema de saída do rádio (power out). Uma transmissão entrecortada ou com baixa potência pode estar ligada a carga das baterias.

Para o uso de Comunicação Marítima, determina-se:

TIPO DE NAVEGAÇÃO

LIMITES

EQUIPAMENTOS USADOS

Águas Restritas

Águas interiores ou
até 3 milhas da costa*

Radiotelefone VHF

Costeira

Entre 3 e 50 milhas
da costa*

Radiotelefone VHF

Oceânica

A mais de 50 milhas
da costa

Radiotelefone SSB
EPIRB

* considera-se a costa ou a distância até o perigo mais próximo.
para usar estes equipamentos é necessário ter licença do DENTEL, devendo ficar obrigatoriamente a bordo.
o alcance do VHF pode variar em função da altura do mastro e das condições climáticas.

Todas as capitanias dos portos, estações costeiras, iate-clubes e navios possuem escuta 24 horas na freqüência 156,8 MHz (canal 16), que é uma das freqüências internacionais de socorro marítimo.

PRINCIPAIS CANAIS VHF

CANAL

FREQUÊNCIA

UTILIZAÇÃO

16

156,800

 Socorro, Urgência, Segurança e chamada

70

156,525

 Chamada seletiva digital para Socorro,  Urgência, Segurança e chamada

6

156,300

 Uso obrigatório entre embarcações

8

156,400

 Comunicações entre barcos

10

156,500

 Comunicações entre barcos

67

156,375

 Iate-clubes e marinas chamadas e tráfego

68

156,425

 Iate-clubes e marinas chamadas e tráfego

69

156,475

 Iate-clubes e marinas chamadas e tráfego

77

156,675

 Comunicações entre barcos

RADAR - A TECNOLOGIA DISPONÍVEL
Em acidentes causados por navios, geralmente acusa-se o navio de não ter "visto" o veleiro ou a lancha. Sabemos que navios não enxergam e sim os oficiais de serviço no passadiço. Um par de olhos comuns a algumas centenas de metros do alvo. Não raramente, os oficiais de serviço estão nas mesas calculando a posição baseada em observações astronômicas pois o GPS ainda não é largamente utilizado. Os radares são "economizados" principalmente durante a noite. Próximo do litoral os turnos são alternados por duas pessoas e o radar, em "stand-by", é acionado de meia em meia hora para mero posicionamento. Portanto as pequenas embarcações, que navegam com as luzes apagadas, correm um risco dobrado: não serem vistas e nem captadas. Os Radares Anti-Colisão são equipamentos analógicos para delimitar eletronicamente uma Zona de Vigilância ao redor de nossa embarcação. Quando um alvo aparece em seu limite, um alarme dispara chamando a atenção do navegador. Com o avanço da informática os radares passaram a usar tudo que um computador pode fazer em benefício da segurança. A sintonia do equipamento, que era manual e empírica, passou a ser informatizada. Hoje, as trajetórias dos alvos são calculadas automaticamente uma a uma e o risco de colisão aciona um alarme imediato. Consultando a tela o navegador dispõe de informações como posição do alvo em latitude e longitude, seu rumo e velocidade verdadeiros e aparentes. Estes equipamentos proporcionam simulação eletrônica de manobra confirmando se a mesma será ou não segura. Isto gera uma tomada de decisão mais eficaz para o oficial do turno poder modificar o rumo da embarcação. Mas afinal onde entram os iates nisto tudo? E como são afetados por esta tecnologia?
Poucos iates, a vela ou motor de bandeira brasileira, possuem radares. Os que possuem, raramente utilizam por falta de informação e treinamento. Conta o folclore náutico que a primeira lancha equipada com um radar "anti-colisão" abalroou a balsa da travessia São Sebastião-Ilhabela. O Comandante acreditou que o radar faria também a manobra de evasão e não apenas a detecção do alvo. Por incrível que pareça este pensamento era comum no início da sofisticação dos equipamentos. Não é difícil, mesmo atualmente, alguém perguntar se seu barco possui aquele sistema de equipamentos que detecta o alvo, faz a manobra e retorna ao rumo preestabelecido, tudo sozinho. Eletronicamente possível de ser realizado, é na prática um erro lamentável. O Capitão somente pode manobrar quando vê o alvo em aproximação, a olho nu ou com o auxílio de equipamentos. Radares, computadorizados ou não, não distinguem veleiros de lanchas ou navios de pedras. Um GPS, um piloto-automático e um radar são equipamentos de auxílio e não podem ser responsabilizados por danos causados pelo seu mau uso. No futuro a vigilância eletrônica será mais efetiva. A aviação pesquisa e testa e a navegação marítima adota e utiliza. Os respondedores-radar (transponders) são um exemplo clássico disso e são utilizados nas bóias e faróis conhecidos por RACON. São equipamentos que ao receber o sinal originado por um RADAR, respondem com um sinal de identificação (letra do alfabeto morse sinalizada em nossa tela). Um transponder em nosso barco pode sinalizar na tela dos outros radares que navegam na mesma área, a nossa identificação eletrônica, talvez com as letras de nosso Indicativo Internacional de Chamada, facilitando uma chamada pelo rádio VHF entre embarcações em situação de risco ou mesmo apenas de passagem. Este sistema, já utilizado na aviação, também facilitará as estações de controle de tráfego em portos ou canais que um dia talvez existam no Brasil. Outro tipo de transpondedor é o Alarme-Anti-Radar, proibido e combatido pela Policia Rodoviária. Este equipamento emite um alarme quando reconhece um sinal emitido por radar. Na navegação marítima são bastante úteis pois permitem que saibamos que há uma outra embarcação utilizando o radar. Dependendo de onde estamos navegando, pode tratar-se de um navio. Sob má visibilidade, existe um método (que pouca gente utiliza) previsto e respeitado como de extrema importância. É o Aviso de Segurança através do rádio VHF. Estando em dificuldade, navegando com pouca visibilidade e sem radar, ou com manobra restrita devido a alguma avaria, transmita de tempos em tempos uma mensagem que identifique sua embarcação, sua posição, rumo e velocidade e ainda informe o motivo do aviso. Esta mensagem é uma arma bastante útil contra um abalroamento.
Na próxima matéria trataremos dos tipos de ecos, seu alcance e interferências na tela dos radares.


ALGUMAS REGRAS PARA NAVEGAR COM SEGURANÇA
Antes da Saída:
Verifique o tempo local e as condiçoes do mar.
Obtenha a última previsão de tempo para a área.
Quando sinais de alerta estiverem vigorando não saia sem se certificar que sua embarcação poderá navegar com segurança sob as condições previstas de mar e vento.
Tenha cautela sempre que avistar sinais de alerta de tempo em estações navais, iate clubes, marinas e outros pontos do litoral.
Verifique suas cartas, mapas de tempo e equipamento de rádio
Verifique o combustível ( se for o caso ), agulhas, sistema elétrico e material de salvatagem.

A Caminho:
Mantenha "um olho" no tempo quanto a:
a. aproximação de nuvens escuras e ameaçadoras que podem ser indício de borrascas ou tempestades.
b. Qualquer aumento continuado do vento ou do mar.
c. Qualquer aumento na velocidade do vento oposta a direção de forte correnteza de maré que poderá gerar ondas capazes de avariar seriamente uma embarcação miuda.
Uma forte estática em seu rádio AM poderá ser uma indicação de tempestade nas proximidades.
Procure ouvir as estações de rádio quanto as ultimas previsões e avisos e alertas aos navegantes.
Se você for apanhado "a caminho" por uma tempestade:
a. permaneça cobertas abaixo se possível.
b. Mantenha-se afastado dos objetos metálicos que não estejam protegidos pelo sistema "terra" da embarcação.
c. Não toque em mais de um objeto metálico "grounded" por vez
A fim de evitar receber uma descarga elétrica.


PRAZER COM SEGURANÇA
Férias, sol forte e você com todo o tempo do mundo para aventurar-se em novos rumos os quais sua lancha pode lhe conduzir, não esquecendo, porém, da segurança.
Um lindo céu azul confundindo-se com as águas no horizonte, uma leve brisa soprando é o suficiente para que dezenas de afeiçoados pela navegação abarrotem nosso mar calmo da Praia do Sonho, com imponentes lanchas misturando-se aos barcos dos pescadores e os divertidos e radicais jet skis.
Não devemos pensar , entretanto, que o universo do motonauta resume-se em apenas "curtir" os Hps que sua máquina pode lhe proporcionar! Um minucioso protocolo de verificações deve ser seguido antes da partida para que seu lazer de final de semana não se torne um pesadelo, podendo até custar sua própria vida.
Logo, acima da imensa satisfação que as embarcações em geral podem proporcionar, devemos colocar a segurança. Só assim, estaremos prontos para aventura!!!